Marmitaria

CMV de marmitaria: como calcular o custo real de cada marmita

Vende 300 marmitas por dia e não sobra nada? Aprenda a calcular o CMV da marmitaria com a fórmula EI + Compras − EF e descubra o custo real por marmita.

·10 min de leitura·Tamy Food

Você produz 300 marmitas por dia, a cozinha não para, o telefone não para — e no fim do mês a conta bancária diz que você trabalhou de graça. Se essa cena parece familiar, o problema quase nunca é venda. É o CMV da marmitaria que ninguém calculou direito: o custo real de cada marmita que sai da sua cozinha. Saber calcular o CMV é a diferença entre "acho que estou lucrando" e "sei que cada marmita me deixa R$ 7,73".

Resumo em 3 pontos:

  • CMV de marmitaria se calcula com estoque: EI + Compras − EF, nunca só somando as compras do mês
  • O benchmark para marmitaria é 32–40% (SEBRAE 2024) — acima de 48% é zona de prejuízo
  • Na marmitaria, a embalagem viaja em 100% das vendas: R$ 1,50 a R$ 3,00 por unidade que a maioria esquece de contar

Por que marmitaria que vende muito ainda fica no zero (o CMV invisível)

Marmitaria é o segmento onde o faturamento mais engana. O tíquete é baixo (R$ 13 a R$ 25), o volume é alto (200 a 400 unidades/dia) e o custo está pulverizado em dezenas de itens pequenos: arroz, feijão, proteína, legume, tempero, óleo, gás, pote, tampa, sacola. Nenhum deles parece caro sozinho. Somados, eles comem 35 a 45% de tudo que entra.

Segundo a ABRASEL (2025), 82% dos negócios de food service fecham por falta de gestão financeira — não por falta de cliente. E o SEBRAE (2024) estima que 15–20% das compras vão para o lixo sem ninguém perceber: sobra de panela, legume que passou do ponto, porção servida a mais. Numa marmitaria que compra R$ 46.000/mês de insumos, isso é até R$ 9.200 por mês evaporando antes de virar marmita.

O resultado é o clássico: "vendo muito mas fico no zero". A resposta está numa conta que leva 15 minutos por mês.

A fórmula do CMV aplicada à marmitaria: EI + Compras − EF

A fórmula completa do CMV usa o estoque, não só as compras:

CMV (R$) = Estoque Inicial + Compras do mês − Estoque Final
CMV (%) = (CMV em R$ ÷ Faturamento bruto) × 100

Por que não vale somar só as compras? Porque compra não é consumo. Se você encheu o freezer de frango no dia 28, seu custo do mês parece alto — mas metade daquele frango vira marmita só no mês seguinte. O estoque corrige essa distorção. (A versão simplificada da fórmula, e quando ela serve, está em como calcular o CMV do restaurante.)

Exemplo real — Sabor da Márcia, marmitaria em São Paulo, 320 marmitas/dia:

ItemValor
Estoque inicial (contado dia 1º)R$ 8.400
Compras do mês (notas + feira + açougue)R$ 46.200
Estoque final (contado dia 30)R$ 9.100
CMV do mêsR$ 45.500
Faturamento brutoR$ 120.000
CMV %37,92%

Márcia está dentro da faixa — mas no teto dela. Cada ponto percentual de CMV numa marmitaria de R$ 120k/mês vale R$ 1.200/mês. Derrubar de 37,92% para 34% libera R$ 4.700/mês de margem sem vender uma marmita a mais — as táticas para essa queda estão em como reduzir o CMV do restaurante.

CMV ideal de marmitaria: a faixa de referência (e por que a fit é mais cara)

SegmentoCMV idealCMV perigoso
Marmitaria tradicional32–40%acima de 48%
Marmitaria fitness36–44%acima de 50%
Bar / Boteco (comparação)28–35%acima de 40%
Restaurante casual (comparação)30–38%acima de 45%

A marmitaria opera com CMV estruturalmente mais alto que bar e restaurante: o tíquete é menor e a proteína pesa mais no prato (as faixas dos outros segmentos estão detalhadas em CMV ideal por segmento). E a linha fit costuma rodar 4 a 8 pontos acima da tradicional: frango desfiado e patinho custam mais que ovo e linguiça, legume fresco vence rápido (mais perda), e a embalagem com divisórias custa quase o dobro do pote comum.

É por isso que a marmita fit — quase sempre a mais pedida — pode ser a que menos deixa dinheiro. A comparação completa está em marmitaria fitness vs tradicional: qual dá mais lucro.

Custo por marmita: como quebrar o CMV geral em custo por unidade

O CMV do mês diz se o negócio está saudável. O custo por marmita diz qual produto sustenta o negócio e qual sabota. A conta de partida:

Custo médio por marmita = CMV do mês ÷ marmitas vendidas no mês

No Sabor da Márcia: R$ 45.500 ÷ 8.320 marmitas (320/dia × 26 dias) = R$ 5,47 por marmita só de ingredientes. Abrindo a ficha técnica da tradicional de R$ 15:

ComponenteCusto por marmita
Arroz + feijãoR$ 1,10
Proteína (frango, carne moída, linguiça)R$ 2,60
Guarnição + saladaR$ 0,90
Tempero, óleo e gás (rateado)R$ 0,45
Perdas e sobras (rateio de 8%)R$ 0,42
Total de ingredientesR$ 5,47 (36,47% do preço)

Duas regras práticas para essa quebra funcionar:

  1. Pese uma vez, use sempre. Monte a ficha técnica pesando cada componente de UMA marmita padrão. Não precisa pesar todo dia — precisa pesar uma vez com honestidade.
  2. Rateie o que é coletivo. Gás, óleo, tempero e perda não aparecem em nenhuma marmita específica, mas existem. Divida o gasto mensal desses itens pelo total de marmitas e some ao custo unitário.

Com o custo por unidade na mão, o próximo passo é conferir se o preço cobre tudo — o passo a passo está em como calcular o preço da marmita.

O erro da embalagem: R$ 1,50 a R$ 3,00 que somem da conta

No CMV clássico de restaurante, embalagem fica fora da conta — ela só aparece nos pedidos de delivery. Na marmitaria é diferente: a embalagem viaja em 100% das vendas. Pote, tampa, sacola, guardanapo, talher descartável. Se todo produto que sai leva embalagem, ela é custo direto do produto — e precisa entrar no seu custo por marmita, mesmo que você a mantenha numa linha separada do CMV de ingredientes.

Quanto pesa: R$ 1,50 a R$ 3,00 por marmita, dependendo do pote (comum vs. com divisórias), da sacola e dos descartáveis. A Márcia paga R$ 1,80 por conjunto. Parece pouco — até multiplicar:

R$ 1,80 × 8.320 marmitas = R$ 14.976 por mês em embalagem.

É a segunda maior linha de custo variável da marmitaria, atrás só da proteína. Quem precifica "ingrediente × 3" sem somar a embalagem está doando 10 a 12% do preço de cada marmita. Custo real da tradicional da Márcia: R$ 5,47 + R$ 1,80 = R$ 7,27 por unidade antes de qualquer custo fixo.

Delivery muda tudo: CMV + comissão do app = quanto sobra de verdade

No app, entre o preço e o seu bolso existe um pedágio de 12% a 27% de comissão — o detalhamento completo está em taxas do iFood: quanto custa de verdade. Veja a marmita fit da Márcia a R$ 22 no aplicativo, com comissão de 23%:

LinhaValor
Preço no appR$ 22,00
Comissão do app (23%)− R$ 5,06
Ingredientes (ficha fit)− R$ 6,90
Embalagem com divisórias− R$ 2,40
Sobra por pedido (margem de contribuição)R$ 7,64 (34,73%)

Agora a tradicional de R$ 15 vendida no balcão: R$ 15,00 − R$ 5,47 − R$ 1,80 = R$ 7,73 (51,53%).

Leia de novo: a marmita "barata" de balcão deixa mais dinheiro que a fit de R$ 22 no app. E desses R$ 7,64 ainda saem funcionário, aluguel, energia e imposto. É exatamente o tipo de descoberta que muda cardápio, preço e canal — e que ninguém enxerga olhando só o faturamento. O raio-x completo por produto está em margem de marmitaria: qual marmita dá lucro.

"Eu vendia 320 marmitas por dia e tinha certeza que a fit de R$ 22 era meu carro-chefe. Quando fiz a conta com embalagem e comissão do app, ela deixava menos dinheiro por unidade que a tradicional de R$ 15 do balcão. Ajustei o preço no app em uma semana." — Márcia, Sabor da Márcia, São Paulo

Calcule agora o seu em 5 minutos

Você não precisa de planilha para começar. Separe três números — estoque inicial, compras do mês e estoque final — e use a Calculadora de CMV da Tamy: ela roda a fórmula, compara com o benchmark do seu segmento e mostra quanto cada ponto acima do ideal custa em reais por mês.

E se você não quiser fazer essa conta nunca mais: a Tamy calcula o CMV sozinha. Você manda a foto da nota do fornecedor no WhatsApp, a Tamy lança a compra, atualiza o custo e avisa quando o CMV foge da faixa — "Seu CMV subiu 2,4% essa semana. O frango do seu fornecedor aumentou 11%. Quer ver alternativas?". Sem planilha, sem conta de padaria às 22h.

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Checklist mensal da Márcia: a rotina que mantém o CMV no lugar

A rotina que a Márcia segue — 40 minutos por semana, no total:

  • Registrar toda compra no dia — nota do atacadão, feira, açougue. Compra sem registro é CMV invisível
  • Contar o estoque toda segunda de manhã — freezer, despensa e câmara, sempre no mesmo horário, antes da produção
  • Rodar EI + Compras − EF toda semana — não espere o fechamento do mês; em 30 dias o prejuízo já aconteceu
  • Comparar com a faixa 32–40% — passou de 40%, investigue naquela semana: preço de fornecedor, porção ou desperdício
  • Pesar as sobras de panela 2x por semana — sobra pesada vira ajuste de produção; sobra ignorada é parte dos até R$ 9.200/mês que evaporam da compra
  • Revisar o custo da embalagem a cada 3 meses — cotar 3 fornecedores; R$ 0,30 a menos por conjunto são R$ 2.500/mês no volume da Márcia
  • Recalcular o custo da marmita campeã de venda todo mês — é nela que qualquer aumento de insumo machuca primeiro

Quem roda esse checklist sabe, toda segunda-feira, quanto custa cada marmita e quanto sobra de cada uma. Quem não roda, descobre em dezembro — quando não dá mais para corrigir.


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