Rateio de custo fixo entre unidades: como saber o lucro real de cada loja
Aluguel da matriz, folha central e contador não são de uma loja só. Veja como ratear custo fixo entre 2 ou 3 unidades e descobrir qual dá lucro de verdade.
Você abriu a segunda loja porque a primeira ia bem. Agora tem duas operações, um faturamento somado que parece bonito no extrato, e uma dúvida que não sai da cabeça: qual das duas dá lucro de verdade? O problema é que o aluguel do galpão onde a cozinha central funciona, o salário do gerente que roda entre as unidades e o honorário do contador não são de uma loja só — e enquanto essas despesas ficam num monte só, o rateio de custo fixo entre unidades simplesmente não acontece, e o lucro real de cada uma continua escondido.
Este artigo mostra, passo a passo, como dividir esse custo compartilhado entre 2 ou 3 lojas e enxergar quanto cada uma sobra no fim do mês.
Resumo em 3 pontos:
- Custo direto (aluguel, energia, folha da própria loja) vai 100% para a unidade; só o compartilhado (estrutura central, contador, gerente) é que precisa de rateio
- O critério de rateio muda por tipo de despesa: faturamento para gestão e contador, número de funcionários para folha central, volume para cozinha compartilhada
- Sem separar isso, a loja que fatura mais parece a melhor — e às vezes é ela que carrega o prejuízo da outra sem ninguém perceber
O que é rateio de custo fixo entre unidades?
Rateio de custo fixo entre unidades é dividir uma despesa que atende mais de uma loja entre cada operação, usando um critério justo. O aluguel de uma cozinha central que produz para duas lojas, o salário de um gerente que roda entre as três, o honorário do contador que fecha o balanço da rede toda: nenhuma dessas contas é de uma unidade só. Ratear é atribuir a parte que cabe a cada uma.
Quando você tem uma loja só, isso não existe: todo custo é daquela operação. No momento em que abre a segunda, uma parte das despesas passa a ser compartilhada. E é aí que a conta do lucro por loja começa a mentir, porque a estrutura central some no meio do total e ninguém sabe quanto ela pesa em cada ponto.
Por que a loja que mais fatura pode ser a que dá prejuízo
O faturamento somado esconde a verdade. Duas lojas que juntas faturam R$ 240 mil por mês parecem uma rede saudável — mas o número consolidado não diz se as duas contribuem ou se uma sustenta a outra. Só o lucro separado, com o custo compartilhado rateado, responde isso. E a resposta costuma surpreender o dono.
Pensa no dono que tem uma marmitaria matriz, com cozinha grande, e uma unidade menor de bairro que só finaliza e entrega. A matriz fatura mais, então parece a estrela. Mas é a matriz que banca a cozinha central inteira, o gerente de produção e a maior fatia do contador. Quando o custo compartilhado entra no lugar certo, às vezes a lojinha de bairro — enxuta, sem estrutura pesada — é quem tem a melhor margem por real vendido. O consolidado nunca ia mostrar isso.
Esse é o mesmo raciocínio de separar margem por canal ou por prato: o número agregado é a média de coisas muito diferentes, e a média esconde o que precisa de decisão.
Qual custo eu rateio e qual eu não rateio?
A resposta direta: rateie só o que é compartilhado. Custo que pertence a uma única loja — aluguel daquele ponto, energia daquele salão, folha daqueles funcionários — vai 100% para ela, sem divisão. Rateio serve para a estrutura que serve a rede toda. Misturar os dois é o erro mais comum de quem abre a segunda unidade.
| Tipo de custo | É de uma loja só? | O que fazer |
|---|---|---|
| Aluguel do ponto da loja A | Sim | 100% na loja A |
| Energia e água de cada salão | Sim | 100% na unidade que gastou |
| Folha dos atendentes da loja | Sim | 100% na loja onde trabalham |
| Aluguel da cozinha central | Não, serve as duas | Ratear |
| Salário do gerente que roda entre lojas | Não | Ratear |
| Contador da rede | Não | Ratear |
| Marketing da marca (Instagram, iFood da rede) | Não | Ratear |
| Sistema, telefone e administrativo central | Não | Ratear |
A regra de bolso: se a despesa continuaria existindo igual caso você fechasse uma das lojas, ela é compartilhada e entra no rateio. Se ela sumiria junto com a loja, é custo direto daquela unidade.
Como escolher o critério de rateio (com exemplo)
Aqui está o coração da conta. Um custo compartilhado não se divide sempre no meio — divide pelo critério que reflete quem consome mais aquela despesa. E o critério muda conforme o tipo de custo. Escolher o critério errado distorce o lucro tanto quanto não ratear.
Os três critérios que resolvem quase tudo:
- Por faturamento — para custo administrativo, contador, sistema e marketing da marca. A loja que fatura mais movimenta mais nota, mais conciliação, mais trabalho de gestão. Justo ela carregar a fatia maior.
- Por número de funcionários — para folha da estrutura central (RH, supervisão, gerente de gente). Quem tem mais equipe demanda mais dessa estrutura.
- Por volume produzido — para cozinha ou centro de produção compartilhado. A loja que puxa mais pratos da cozinha central ocupa mais espaço, gás e mão de obra dela.
Vamos ratear R$ 18.000 de custo compartilhado entre duas lojas usando faturamento como critério. A loja A faturou R$ 150.000 e a loja B, R$ 90.000 — total de R$ 240.000.
| Etapa | Loja A | Loja B |
|---|---|---|
| Faturamento | R$ 150.000,00 | R$ 90.000,00 |
| Peso no total | 62,50% | 37,50% |
| Fatia dos R$ 18.000 | R$ 11.250,00 | R$ 6.750,00 |
A loja A absorve R$ 11.250 do custo central e a loja B, R$ 6.750. Agora cada uma tem seu custo compartilhado no lugar, e o DRE de cada loja fica honesto. Repare que dividir no meio (R$ 9.000 para cada) teria jogado R$ 2.250 de custo da loja A em cima da loja B — e feito a loja menor parecer pior do que é.
Como montar o resultado por unidade passo a passo
Com custo direto e custo rateado separados, montar o lucro de cada loja vira uma sequência simples. É o mesmo esqueleto de um DRE, só que replicado por unidade e com a linha de custo compartilhado no fim.
- Receita da unidade — só o que aquela loja vendeu, em todos os canais (salão, delivery, balcão).
- Menos o CMV da unidade — o custo dos insumos daquilo que ela vendeu.
- Menos os custos diretos da unidade — aluguel do ponto, energia, folha da equipe local, taxas de cartão e delivery daquela loja.
- Menos a fatia rateada do custo compartilhado — a parte da estrutura central que coube a ela pelo critério que você escolheu.
- Resultado da unidade — o que sobrou. Esse é o lucro real daquela loja, não o palpite.
Some o resultado das duas ou três unidades e você chega no lucro da rede — só que agora sabendo exatamente de onde ele vem. Se uma unidade dá resultado negativo depois do rateio, você tem uma decisão concreta na mesa: renegociar o ponto, cortar estrutura, mudar o mix, ou até avaliar se aquela loja faz sentido. Antes de abrir a próxima, vale revisar quando faz sentido abrir a segunda unidade do restaurante — a mesma disciplina de custo vale para decidir a expansão.
Como a Tamy faz o rateio por você
Fazer esse rateio na mão, toda vez, em planilha, é onde a maioria dos donos desiste. São várias abas, um critério que muda por despesa, e o risco de errar uma fórmula e tomar decisão com número torto. A planilha registra. A Tamy responde.
A Tamy separa automaticamente a receita e o custo direto de cada unidade e distribui os custos compartilhados pelo critério que você definir. No painel multi-unidade, ela mostra o DRE de cada loja lado a lado e um ranking de qual unidade dá mais margem — sem você montar nada. É o consolidado da rede e o resultado loja a loja na mesma tela.
E como é autopilot, ela age antes de você perguntar. Quando uma unidade começa a pesar no resultado da rede, a Tamy avisa: "A unidade Centro fechou o mês com margem de 3% depois do rateio da cozinha central — R$ 4.100 abaixo da unidade Bairro. Quer ver o que puxou?" Você não precisa somar nada. A Tamy soma. Você decide o que fazer com a informação.
Esse é o dado que o seu contador não tem como te entregar no dia a dia — ele cuida do imposto e do balanço; a Tamy cuida do resultado por loja de ontem. Os dois trabalham juntos: você leva para o contador um número já limpo e rateado, e ele fecha em cima de dado pronto.
Perguntas frequentes
O que é rateio de custo fixo entre unidades?
É dividir uma despesa que atende mais de uma loja — aluguel de um galpão central, salário do gerente que roda entre as unidades, honorário do contador — entre cada operação, usando um critério justo como faturamento ou número de funcionários. Sem esse rateio, você não sabe o lucro real de cada unidade.
Qual o melhor critério para ratear custo fixo entre lojas?
Depende da despesa. Custo administrativo e contador costumam ir por faturamento, porque a loja que fatura mais consome mais gestão. Folha central pode ir por número de funcionários. Cozinha central que produz para as duas, por volume produzido. O importante é escolher um critério lógico e manter ele fixo mês a mês para poder comparar.
Preciso ratear custo que é só de uma unidade?
Não. Aluguel, energia e folha da própria loja são custos diretos daquela unidade — vão 100% para ela. Rateio serve só para o que é compartilhado: estrutura central, contador, gerente que atende todas, marketing da marca. Misturar os dois é o erro mais comum de quem cresce para a segunda loja.
Como a Tamy calcula o lucro por unidade?
A Tamy separa a receita e o custo direto de cada unidade e distribui os custos compartilhados pelo critério que você definir. No painel multi-unidade ela mostra o DRE de cada loja e um ranking de qual dá mais margem, sem você montar planilha. Quando uma unidade começa a pesar, ela avisa antes do fechamento do mês.
Rateio muda o meu ponto de equilíbrio?
Muda o de cada loja. Cada unidade passa a ter um ponto de equilíbrio próprio, que inclui a fatia da estrutura central que ela carrega. Vale calcular o ponto de equilíbrio de cada loja depois do rateio — é o faturamento mínimo que aquela unidade precisa para pagar a própria conta mais a parte que deve à rede.
Antes de abrir a próxima loja ou fechar uma que parece fraca, monte o resultado de cada unidade com o custo compartilhado no lugar certo. Se ainda não tem o esqueleto do DRE, comece por como montar o DRE do restaurante e replique por unidade.
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