Taxas do iFood: quanto custa de verdade vender no app
Comissão, taxa de pagamento, mensalidade e cupom: a soma real fica entre 20% e 32% do pedido. Veja a conta linha a linha num pedido de R$ 100.
Você vende R$ 30.000 por mês no iFood, o celular não para de apitar, e no fim do mês a conta bancária não reflete nada disso. Se você nunca somou tudo o que o app leva — comissão, taxa de pagamento, mensalidade, cupom, embalagem — provavelmente está entregando entre R$ 6.000 e R$ 9.600 por mês para vender pelo aplicativo. E a pergunta "quanto o iFood cobra de taxa" tem uma resposta bem maior do que os 12% ou 23% que aparecem no contrato.
Este artigo faz a conta completa, linha a linha, num pedido de R$ 100 — para você saber exatamente quanto sobra no seu bolso.
Resumo em 3 pontos:
- A soma de todas as taxas do iFood fica entre 20% e 32% do valor do pedido, dependendo do plano — bem acima da comissão "de tabela"
- Num pedido de R$ 100 no Plano Entrega, depois de taxas, cupom, embalagem, imposto e CMV, sobram cerca de R$ 27 antes dos custos fixos
- Quem não separa a margem por canal não sabe se o delivery dá lucro — e 41% dos negócios de food service estão inadimplentes por falta exatamente desse controle (ABRASEL)
Resposta direta: quanto o iFood cobra de taxa? A soma fica entre 20% e 32% do pedido
A comissão que o iFood divulga é só uma parte da conta. Quando você soma comissão + taxa de pagamento online + mensalidade rateada + promoções bancadas pelo restaurante, o custo real de vender no app fica assim:
| Plano | Comissão | Taxa pagamento online | Mensalidade | Custo total típico |
|---|---|---|---|---|
| Básico (entrega própria) | 12% | 3,2% | R$ 130/mês* | ~17–22% do pedido |
| Entrega (logística do iFood) | 23% | 3,2% | R$ 130/mês* | ~27–32% do pedido |
*Isenta para quem vende menos de R$ 1.800/mês no app.
E isso ainda não inclui embalagem, brinde, nem a sua parte nos cupons de promoção — que entram na conta mais abaixo.
As taxas uma a uma: comissão, mensalidade, pagamento online e promoções
1. Comissão por plano
- Plano Básico (12%): o iFood é só a vitrine. A entrega é sua — motoboy próprio ou aplicativo de entregadores, que custa em média R$ 7 a R$ 12 por corrida.
- Plano Entrega (23%): o iFood cuida da logística. Parece caro, mas para quem faz 15 entregas/dia com motoboy fixo de R$ 2.800/mês + encargos, às vezes é o contrário. A conta precisa ser feita com os SEUS números.
2. Taxa de pagamento online (3,2%)
Todo pedido pago dentro do app — PIX, cartão, saldo — paga 3,2% sobre o valor total. Como mais de 80% dos pedidos são pagos online, considere que essa taxa incide em quase tudo.
3. Mensalidade (R$ 130)
Cobrada de quem vende acima de R$ 1.800/mês no app. Parece pouco, mas num restaurante com 400 pedidos/mês são R$ 0,33 por pedido — e em quem vende pouco, o peso relativo é bem maior.
4. Promoções e cupons
Aqui mora o custo invisível. Boa parte das campanhas "frete grátis" e "R$ 10 off" é cofinanciada: o iFood banca uma parte e você banca a outra. Restaurantes ativos em promoção gastam, em média, de 3% a 8% do faturamento do canal em descontos que saem do próprio bolso.
Num pedido de R$ 100 sobram quantos? A conta completa linha a linha
Vamos usar a marmitaria da Márcia, em São Paulo, no Plano Entrega, com pedido pago pelo app:
| Linha | Valor | % do pedido |
|---|---|---|
| Valor do pedido | R$ 100,00 | 100% |
| Comissão iFood (23%) | − R$ 23,00 | 23% |
| Taxa pagamento online (3,2%) | − R$ 3,20 | 3,2% |
| Mensalidade rateada (R$ 130 ÷ 400 pedidos) | − R$ 0,33 | 0,3% |
| Cupom bancado pelo restaurante (média 5%) | − R$ 5,00 | 5% |
| Embalagem + sacola + lacre | − R$ 3,50 | 3,5% |
| Imposto (Simples, ~6% sobre o bruto) | − R$ 6,00 | 6% |
| Insumos do prato (CMV 32%) | − R$ 32,00 | 32% |
| Sobra antes dos custos fixos | R$ 26,97 | 27% |
Desses R$ 26,97 ainda saem pessoal, aluguel, energia e gás — que consomem tipicamente 15 a 20 pontos. Sobra líquida real: R$ 7 a R$ 12 por pedido de R$ 100.
A micro-aula aqui: o iFood não levou 23%. Levou 31,5% (comissão + taxa online + mensalidade + cupom). Quem olha só a comissão de tabela acha que tem 77% para trabalhar — e na verdade tem 68,5%. Esses 8,5 pontos de diferença, num canal que fatura R$ 30.000/mês, são R$ 2.550 por mês que somem sem aparecer em lugar nenhum.
No Plano Básico a conta muda: as taxas caem para ~20%, mas entra o custo da SUA entrega (R$ 7–12 por corrida). Num pedido de R$ 100, dá quase no mesmo. Num pedido de R$ 45, a entrega própria pesa 20% sozinha — e o Plano Entrega passa a fazer mais sentido. O ticket médio decide qual plano é melhor para você.
Quem paga a taxa do iFood: você ou o cliente?
Na prática, os dois — e é por isso que a maioria dos restaurantes infla o preço no app.
Abra o cardápio de qualquer concorrente no app e compare com o preço do balcão: o mesmo prato costuma custar 10% a 15% mais caro no iFood. É uma resposta racional: repassar parte da taxa para o preço. Mas tem dois limites que você precisa conhecer:
- Elasticidade: acima de ~15% de diferença, o cliente percebe e o pedido cai. O app mostra seus concorrentes na mesma tela, a três toques de distância.
- A taxa incide sobre o preço inflado: se você sobe o prato de R$ 100 para R$ 115, a comissão de 23% + 3,2% agora incide sobre R$ 115 — o iFood leva R$ 30,13 em vez de R$ 26,20. Do seu repasse de R$ 15, quase R$ 4 voltam para o app.
Repassar funciona, mas não resolve sozinho. Quem repassa sem calcular acha que "resolveu a taxa" e continua com margem apertada — só que agora escondida atrás de um preço maior.
Os custos que ninguém soma: embalagem, brinde, cupom bancado
Três vazamentos clássicos que não aparecem no extrato do iFood, mas saem do seu caixa:
1. Embalagem completa — não é só a marmita. É marmita + sacola + lacre + guardanapo + sachê. Some tudo: fica entre R$ 1,50 e R$ 4,50 por pedido. Em 400 pedidos/mês, até R$ 1.800.
2. Brinde e cortesia — o bombom, o refri de cortesia para o cliente que reclamou, a porção caprichada "pra garantir 5 estrelas". Cada um é pequeno; no mês, vira R$ 300–600 sem registro nenhum.
3. Cupom cofinanciado — a campanha que "o iFood fez" e você aceitou no painel sem ler a divisão. Confira na seção de promoções quanto de cada desconto é seu. É comum descobrir que o restaurante banca metade.
Esses três itens juntos comem de 5% a 9% do faturamento do canal — e não estão em nenhuma "taxa" oficial. Por isso a conta de padaria "comissão + um pouquinho" sempre subestima o custo real.
Como saber se o SEU delivery dá lucro ou prejuízo por canal
A única forma de responder é separar a margem por canal: salão, iFood, WhatsApp/canal próprio. O mesmo prato pode ter margem de 22% no balcão e margem negativa no app — e o faturamento total esconde isso, porque o canal bom subsidia o ruim.
O caminho rápido: pegue um mês fechado e monte, para cada canal, a mesma tabela da seção anterior — receita do canal, taxas do canal, embalagem, cupons, CMV. Se quiser pular a planilha, use o Comparador de Delivery da Tamy: você coloca seus números e ele mostra lado a lado quanto sobra em cada canal.
Dois artigos que aprofundam essa conta: iFood: lucro ou prejuízo? e como calcular a margem real descontando a comissão.
E se você ainda não sabe sua margem geral, comece por qual é a margem de lucro ideal para restaurante — sem esse número, nenhuma decisão de canal se sustenta.
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4 formas de melhorar a margem sem sair do iFood
1. Preço por canal, calculado — não chutado
Defina o preço do app partindo do custo real: CMV + embalagem + taxas do plano + imposto + margem alvo. Para um prato de CMV R$ 32 no Plano Entrega, o preço que sustenta 15% de margem líquida fica na casa de R$ 105–110 — não os R$ 100 do balcão. A diferença de 8–12% o cliente aceita; o prejuízo silencioso, seu caixa não.
2. Cardápio enxuto no app
Cada prato de margem ruim no app é um convite ao prejuízo — o cliente escolhe exatamente o item que te dá menos. Tire do cardápio digital os 20% de itens com pior margem. Menos opção, mais lucro por pedido, cozinha mais rápida.
3. Ticket mínimo
Pedido de R$ 25 no Plano Entrega paga as mesmas taxas fixas proporcionalmente maiores (embalagem, mensalidade rateada) e quase nunca cobre o custo. Um ticket mínimo de R$ 35–40 elimina os pedidos que dão prejuízo garantido.
4. Combos que sobem o ticket com CMV baixo
Bebida e acompanhamento têm CMV menor que o prato principal. Um combo "marmita + suco + doce" sobe o ticket de R$ 42 para R$ 55 adicionando R$ 4 de custo — a margem do pedido inteiro melhora, e as taxas percentuais se diluem sobre um valor maior. Se o seu CMV já está acima do benchmark, vale ler como reduzir o CMV do restaurante antes de mexer no preço.
Quando faz sentido ter canal próprio junto com o app
Canal próprio (WhatsApp + PIX + entrega organizada) não substitui o iFood — complementa. O app é máquina de aquisição: te coloca na frente de milhares de clientes novos. O canal próprio é onde o cliente recorrente deveria comprar, porque lá sua margem é 20 a 25 pontos maior.
A regra prática: quando mais de 30% dos seus pedidos vêm de clientes que já pediram 3+ vezes, você tem massa crítica para migrar recorrência. O movimento clássico da marmitaria — que vende para os mesmos clientes toda semana — é exatamente esse: iFood para conquistar, WhatsApp para fidelizar. A conta completa dessa estratégia está em delivery próprio vs. iFood para marmitaria.
Só não caia na armadilha de montar canal próprio sem estrutura: entrega atrasada no WhatsApp destrói em uma semana a reputação que o app levou um ano para construir.
Como a Tamy resolve isso
A Tamy conecta seus canais de venda — iFood, cartão, PIX — com seus custos e calcula a margem real por canal, todo dia, sem planilha. Comissão, taxa de pagamento, cupom bancado e embalagem entram na conta automaticamente.
Quando um canal começa a dar prejuízo, a Tamy avisa antes do fechamento do mês: "Márcia, sua margem no iFood caiu para 4% essa semana — os cupons da campanha de quinta consumiram R$ 890. Quer ver o detalhe?" Você não precisa somar nada. A Tamy soma. Você decide.
"Eu achava que o iFood levava 23%. Quando a Tamy separou minha margem por canal, vi que entre cupom, embalagem e taxa de pagamento estava indo 31%. Ajustei preço e cardápio do app e recuperei R$ 2.100 por mês." — Márcia O., Marmitaria, São Paulo
Descubra quanto sobra em cada canal: Comparador de Delivery →
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