Gestão Financeira

Custo de embalagem no delivery: quanto some da sua margem

A marmita, a sacola, o lacre e o sachê comem de 3% a 9% do pedido e não aparecem no extrato. Veja como somar embalagem + comissão pra achar o líquido real do delivery.

·12 min de leitura·Tamy Food

São 22h, o último pedido saiu, e a Márcia fecha a marmitaria olhando o relatório do app: R$ 8.400 vendidos na semana no delivery. Parece bom. O que ela não vê é que, junto de cada marmita, foi embora uma embalagem de R$ 0,90, uma sacola de R$ 0,40, um lacre de R$ 0,15 e um sachê de R$ 0,10. São R$ 1,55 por pedido que ninguém somou. Em 380 pedidos, quase R$ 590 no mês. O custo de embalagem no delivery é assim: pequeno por pedido, invisível no extrato, e grande no fim do mês.

Este artigo mostra quanto a embalagem realmente tira da sua margem, como somá-la junto da comissão pra enxergar o líquido de verdade, e por que esse é um dos vazamentos mais fáceis de tapar no delivery.

Resumo em 3 pontos

  • A embalagem completa (marmita + sacola + lacre + sachê) custa de R$ 1,50 a R$ 4,50 por pedido e não aparece em nenhuma taxa do aplicativo
  • Somada à comissão, ela empurra o custo real do delivery pra faixa de 28% a 40% do pedido — o que muda completamente a conta de "dá lucro ou não"
  • Quem não separa a margem por canal com esses custos dentro está decidindo preço no escuro, e 41% dos negócios de food service estão inadimplentes justamente por falta desse controle (ABRASEL)

Quanto a embalagem custa no delivery por pedido?

A embalagem completa de um pedido de delivery custa entre R$ 1,50 e R$ 4,50, dependendo do prato e do capricho da apresentação. Não é só a marmita: é marmita mais sacola, mais lacre de segurança, mais guardanapo, mais sachê de tempero ou molho, mais adesivo da marca. Cada item parece irrelevante sozinho. Somados, viram o terceiro maior custo variável do pedido, atrás só do CMV e da comissão.

O problema é que esse custo não tem uma "linha" no aplicativo. A comissão do iFood aparece no extrato. A embalagem sai do seu caixa quando você compra o fardo de marmitas do fornecedor, semanas antes, e nunca é reconectada ao pedido que ela embalou. Por isso ela some da conta mental do dono.

Veja uma decomposição típica de uma marmitaria:

Item da embalagemCusto por pedido
Marmita / pote principalR$ 0,80 a R$ 2,00
Sacola (papel ou plástico)R$ 0,30 a R$ 0,80
Lacre de segurançaR$ 0,10 a R$ 0,25
Guardanapo + talher descartávelR$ 0,15 a R$ 0,50
Sachês (molho, tempero, sobremesa)R$ 0,10 a R$ 0,60
Adesivo / etiqueta da marcaR$ 0,05 a R$ 0,35
Total por pedidoR$ 1,50 a R$ 4,50

Num volume de 400 pedidos por mês, a faixa vai de R$ 600 a R$ 1.800 só de embalagem. É dinheiro real, e é dinheiro que a maioria dos donos acha que já está coberto pelo preço do prato, quando muitas vezes não está.

Por que a embalagem some da conta da margem?

A embalagem some porque ela é comprada num momento e consumida em outro. Você paga o fornecedor de descartáveis uma vez por mês, num boleto único, e depois distribui aquele custo por centenas de pedidos ao longo de semanas. O cérebro não faz essa ligação sozinha. O pedido de hoje parece "de graça" em embalagem, porque a marmita já estava na prateleira.

Esse descolamento entre compra e consumo é o mesmo que engana o dono no CMV. A diferença é que o CMV virou pauta e todo mundo já ouviu falar. A embalagem continua sendo o custo esquecido.

Três razões pra ela escapar:

  1. Não está no extrato do delivery. O app te cobra comissão e taxa de pagamento, e você vê isso. A embalagem você comprou por fora, então ela não aparece no mesmo lugar onde você olha a receita do canal.
  2. É comprada em lote. Um fardo de 500 marmitas por R$ 400 vira "R$ 400 de despesa" na cabeça, não "R$ 0,80 por pedido". A conversão de custo de lote pra custo unitário quase nunca é feita.
  3. Some no meio de outros descartáveis. Guardanapo, sachê e adesivo vêm de fornecedores diferentes, em compras diferentes, e ninguém junta tudo pra saber o custo de embalagem por pedido.

A planilha registra a compra do fardo. Mas ela não responde "quanto a embalagem custou no pedido de ontem". Essa é a diferença entre registrar e responder — e é onde o dono perde o controle.

Como somar embalagem e comissão pra achar o líquido real?

Pra saber o que sobra de verdade num pedido de delivery, você precisa somar, no mesmo cálculo, tudo o que sai: comissão do app, taxa de pagamento, cupom que você bancou, embalagem, imposto e o CMV do prato. Só aí aparece o líquido real. Olhar a comissão sozinha, ou a embalagem sozinha, sempre superestima o que você acha que ganha.

Vamos montar a conta num pedido de R$ 100 de uma marmitaria no plano de entrega do iFood, com a embalagem incluída na linha certa:

LinhaValor% do pedido
Valor do pedidoR$ 100,00100,00%
Comissão do app (23%)− R$ 23,0023,00%
Taxa de pagamento online (3,2%)− R$ 3,203,20%
Cupom bancado pelo restaurante (média 5%)− R$ 5,005,00%
Embalagem completa− R$ 3,003,00%
Imposto (Simples, ~6% sobre o bruto)− R$ 6,006,00%
Insumos do prato (CMV 32%)− R$ 32,0032,00%
Sobra antes dos custos fixosR$ 27,8027,80%

Repare no que a embalagem fez: aqueles R$ 3,00 são 3% do pedido. Não parece muito. Mas junto da comissão e do cupom, o custo total de "vender pelo app" (comissão + taxa + cupom + embalagem) chega a R$ 34,20, ou 34,20% do pedido. Quem olha só a comissão de 23% acha que tem 77% pra trabalhar. Na verdade tem 65,80%.

E ainda faltam os custos fixos — pessoal, aluguel, energia, gás — que consomem tipicamente de 15 a 20 pontos. A sobra líquida real fica entre R$ 8 e R$ 13 num pedido de R$ 100. A embalagem, sozinha, é a diferença entre esse pedido fechar no azul ou empatar.

Num pedido de ticket baixo o efeito é ainda mais cruel. Numa marmita de R$ 22, uma embalagem de R$ 2,50 é 11,36% do pedido — mais que o dobro do peso percentual que ela tem no pedido de R$ 100. É por isso que pedido pequeno no delivery quase sempre dá prejuízo: os custos fixos por pedido (embalagem, taxa mínima) não diluem.

Se você quer a conta completa da comissão do app, o passo a passo linha a linha está em quanto custa de verdade vender no iFood. E o iFood, aqui, é aliado: ele traz volume que você não conquistaria sozinho. A questão nunca é fugir do app — é saber quanto sobra depois que ele faz o trabalho dele.

A embalagem entra no CMV ou é custo à parte?

A embalagem não entra no CMV. O CMV mede o custo dos insumos que viram o prato — arroz, frango, feijão, tempero. A embalagem é custo de entrega, um custo variável do pedido, não do prato. Misturar os dois distorce os dois números e te faz perder a comparação com o benchmark do seu segmento.

Na prática, o certo é:

  • CMV = só insumos do prato. É o que você compara com a média do segmento (bar fica em 28% a 35%, marmitaria costuma rodar perto de 30% a 34%).
  • Custo variável do pedido = comissão + taxa + cupom + embalagem + imposto. É o que você soma por canal pra saber a margem de contribuição.

Se você joga a embalagem dentro do CMV, seu CMV "sobe" artificialmente e parece que o problema está na cozinha, quando na verdade está na entrega. Aí você aperta o fornecedor de insumo à toa e não mexe onde dói. Cada número no lugar certo é o que transforma dado em decisão.

Essa separação por canal é o coração da conta. O mesmo prato pode ter margem de 24% no balcão (sem comissão, sem embalagem de viagem) e margem negativa no app. O faturamento total esconde isso, porque o canal bom subsidia o ruim. A conta detalhada de como calcular a margem descontando a comissão está em como calcular a margem real do delivery.

Como reduzir o custo de embalagem sem perder qualidade?

Dá pra cortar de 15% a 30% do custo de embalagem sem o cliente perceber, mexendo em compra, padronização e no que é realmente necessário em cada pedido. Não é sobre entregar pior — é sobre parar de pagar por excesso.

Quatro alavancas que funcionam:

1. Padronize os tamanhos. Muita marmitaria usa três ou quatro tamanhos de pote "por garantia" e acaba embalando um prato pequeno num pote grande. Reduza pra dois tamanhos que cobrem 90% dos pratos. Compra mais volume do mesmo item, ganha preço, e para de desperdiçar pote grande em porção pequena.

2. Reveja os sachês e brindes automáticos. O sachê de molho extra, o guardanapo dobrado, o docinho de cortesia "pra garantir as 5 estrelas". Cada um custa centavos, mas em 400 pedidos vira R$ 300 a R$ 600 sem registro. Ofereça o extra sob pedido, não em todo pedido.

3. Negocie por volume com um fornecedor só. Comprar marmita de um, sacola de outro e sachê de um terceiro pulveriza seu poder de barganha. Consolidar num fornecedor de descartáveis e fechar volume mensal costuma render de 10% a 20% de desconto.

4. Cobre embalagem no preço, não como taxa separada. Uma "taxa de embalagem" na tela do app afasta o cliente. Melhor embutir o custo real da embalagem no preço do prato do canal. Assim o cliente vê um preço só, e você não entrega no prejuízo. Como a comissão incide sobre o preço cheio, calcule com margem — a lógica de precificar por canal está detalhada em margem por prato e por canal.

Como a Tamy mostra o custo real da embalagem por canal

A Tamy conecta seus canais de venda com seus custos e calcula a margem real por canal, todo dia, com a embalagem já dentro da conta. Você manda a nota do fornecedor de descartáveis por foto no WhatsApp, ela registra, e distribui esse custo nos pedidos do canal certo. Comissão, taxa de pagamento, cupom bancado e embalagem entram juntos, sem você somar nada.

Quando a margem de um canal começa a cair, a Tamy avisa antes do fim do mês: "Márcia, sua margem no iFood caiu pra 6% essa semana. A embalagem nova subiu R$ 0,40 por pedido e os cupons de quinta consumiram R$ 520. Quer ver o detalhe?" Ela faz a conta. Você decide o que fazer.

Isso não substitui o seu contador — ele cuida do imposto e do balanço. A Tamy cuida do dia a dia: o custo de ontem, a margem da semana, o pedido que dá lucro e o que dá prejuízo. A planilha registra a compra do fardo de marmitas. A Tamy responde quanto essa marmita tirou da sua margem hoje.

Um lembrete de proporção que vale colar na parede: 5% de custo escondido num faturamento de R$ 80 mil no delivery são R$ 4 mil por mês indo embora sem aparecer. A Tamy custa uma fração disso — e o primeiro custo que ela costuma achar é justamente a embalagem que ninguém somava.

Perguntas frequentes

Quanto custa a embalagem por pedido no delivery?

Somando marmita, sacola, lacre, guardanapo e sachê, o custo completo fica entre R$ 1,50 e R$ 4,50 por pedido. Numa operação de 400 pedidos por mês, isso representa de R$ 600 a R$ 1.800 saindo do caixa sem aparecer em nenhuma taxa do aplicativo.

A embalagem entra no CMV ou é custo separado?

Depende de como você organiza. A embalagem não é insumo do prato, então o mais correto é tratá-la como custo variável do pedido, somada à comissão e à taxa de pagamento. Se você jogar tudo no CMV, o número fica distorcido e você perde a comparação com o benchmark do segmento.

Como saber se meu delivery dá lucro depois da embalagem?

Você precisa separar a margem por canal e incluir embalagem, comissão, cupom, imposto e CMV no mesmo cálculo. Só assim aparece o líquido real de cada pedido. A Tamy faz essa conta por canal todo dia, com esses custos já dentro, sem planilha.

Vale a pena repassar o custo da embalagem pro cliente?

Dá pra embutir parte no preço do app, mas com cuidado: a comissão incide sobre o preço cheio, então parte do repasse volta pro aplicativo. O ideal é calcular o preço do canal já com embalagem dentro, em vez de cobrar uma taxa de embalagem separada que assusta o cliente.


O custo de embalagem no delivery é pequeno demais pra você notar num pedido e grande demais pra ignorar no mês. Ele decide se o seu delivery fecha no azul ou empata. A diferença entre saber e não saber é ter alguém somando isso por você, todo dia.

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